segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A minha menina

Passeia pelo inferno do centro da cidade, como se desfilasse no calçadão de Ipanema. Não da atenção à ofensa, até mesmo deixa um ensaio de sorriso no ar. Sorri sempre, até pra quem não gosta. Tem pulso firme, às vezes assusta os desavisados. Quando fala, é clara, irredutível, irresistível. Tem cheiro de pesegueiro em flor.

Se for pra magoar, ninguém faz melhor, se for pra agradar, ninguém melhor. Tem gosto de mergulho em cachoeira nos dias quentes, e de lareira e edredom nos frios. Tem a calma do amanhecer. Uma flor, quando delicada. Pior que comida fervente na boca em local público, quando irritada. Linda.

Canta como se a voz fosse uma orquestra. Beija com a alma, com as mãos, com as pernas. Atenciosa. Extremamente competente no que faz. Prefere uma barra de chocolate meio amargo a um anel de diamantes. Apaixonada. É forte como o amor que a mãe tem pelo bebê e frágil como ele.

Abraço de mil braços, Seu orgulho um desafio. Verdadeira. Envolvente como o vento que trás tempestade. Sexo apaixonante, ardente, delicado, louco, perfeito. Se for para rir, é melhor não ter vergonha, se for para chorar, silêncio.

Tem o encantamento de uma criança diante da fábula. Séria, mas com o poder de iluminar qualquer coisa com o sorriso aberto. Saudosista, do que foi, do que é, do que vai ser. Amiga. Amante da natureza. Leal a quem ama e a suas crenças. Tem o sexto sentido tão forte que é sétimo. Encantadora. Mulher.

Nunca pede, mas sempre quer; Reconhecimento, carinho, beijo, paixão, amizade, cuidado, olhar, atenção, companhia, abraço, sexo, verdade, canfiança, amor, amor, amor. Tudo isso junto, ao mesmo tempo, com ela, por ela.

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Rosa
Pixinguinha, Otavio de Sousa

Tu és divina e graciosa
Estátua majestosa
No amor!
Por Deus esculturada
E formada com ardor...

Da alma da mais linda flor
De mais ativo olôr
Que na vida é preferida
Pelo beija-flor...

Se Deus
Me fora tão clemente
Aqui neste ambiente
De luz, formada numa tela
Deslumbrante e bela...

Teu coração
Junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado
Sobre a rosa e a cruz
Do arfante peito teu...

Tu és a forma ideal
Estátua magistral
Oh! alma perenal
Do meu primeiro amor
Sublime amor...

Tu és de Deus
A soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração
Sepultas um amor...

O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes
Cheios de sabor
Em vozes tão dolentes
Como um sonho em flor...

És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim
Que tem de belo
Em todo resplendor
Da santa natureza...

Perdão!
Se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh! flor!
Meu peito não resiste
Oh! meu Deus
O quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar
Em esperar
Em conduzir-te
Um dia ao pé do altar...

Jurar aos pés do Onipotente
Em preces comoventes
De dor, e receber a unção
Da tua gratidão...

Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te
Até meu padecer
De todo fenecer...


A nós...

tim,tim...

Parabéns!!!



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